Jair tinha perdido completamente o apetite sexual. Era casado há alguns anos e tinha o apoio da esposa para buscar auxílio. Já tinha ido a vários médicos sem conseguir resultado algum para o mal que o afligia. E foi algo que aconteceu em um estalo, sem aviso prévio. Talvez, caso tivesse perdido a potência gradativamente, ele tivesse aceitado melhor a questão. A situação é que o casal tentou usar fetiches, fantasias sexuais e lugares incomuns. Nada adiantou. Achando que pudesse ser rejeição à sua parceira, ele tentou filmes pornôs, revistas de nu feminino e até outras mulheres. Nada novamente.
O homem foi se apagando para outras questões triviais da vida. Aliás, apesar de ser visivelmente masculino, só repetia para si mesmo que não era mais homem. Evitava a parceira e dormia no sofá. Deixou de comer. E só não largou de beber porque o álcool era o que desviava a angústia. E foi o dissabor que o levou a escrever a carta de demissão para o chefe de tantos anos. Segundo o plano original, escreveria uma nova carta - agora para a companheira - e pegaria o 38. para dar cabo do martírio.
Entrou em casa na pontinha dos pés. Não desejava mais olhar para o rosto da esposa, pois podia se acovardar diante de um olhar dela. Quando já se dirigia ao seu quarto, ele começou a ouvir vozes ofegantes, que ficavam cada vez mais altas. Encontrou a porta entreaberta e viu um homem com movimentos ritmados intensos em cima de sua mulher. E como ela bufava, gemia, esperneava e se entregava...
Arregalou os olhos e suou. Uma atividade violenta iniciou-se entre as suas pernas. O sangue irrigou o corpo cavernoso e gerou a ereção desacreditada.
Masturbando-se, invadiu subitamente o quarto e começou a gritar, “Não para, não para, não para!”
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