A crise no comércio é uma das tônicas no cotidiano da sociedade brasileira. Lojas que ficavam apinhadas pelo público não são agraciadas com o mesmo entusiasmo. Nem mesmo datas emblemáticas como Natal, Dia dos Pais e Dia das Mães são capazes de trazer cifras satisfatórias aos comerciantes. O que mais se vê por aí são placas de “Passo o Ponto” espalhadas pela cidade.
Os motéis também entram nessa cota de decrepitude que vive o mercado. É preciso encontrar soluções criativas para que o negócio respire e seja mais envolvente do que os dos concorrentes. O Motel Villanova não é uma exceção no meio de tanta luta pela sobrevivência financeira.
Sant`Anna havia aprendido com o pai que a forma mais eficaz de se ganhar dinheiro era apostando na compra e aluguel de imóveis. Especializou-se em especular no segmento imobiliário. A família foi aumentando os bens com essa tática. No entanto, ele tinha outros planos para uma propriedade situada em uma região de intensa movimentação empresarial. As traições, as rapidinhas e os namoricos descompromissos da região iriam todos para a conta de seu empreendimento. O que estava pensando dava lucro certo, sem esforço. E deu. Até a época sobre a qual falamos agora.
Na época das vacas magras, o empresário observou que não adiantava mais recorrer aos anúncios ou fazer promoções em datas específicas. Também não valia cadastrar o motel no e-commerce, Guia de Motéis, etc. O volume de clientes só diminuía mês a mês. Resolveu apelar.
Realizou uma promoção em que começou a dar descontos para os casais que se deixassem filmar no ato da transa. Foi sucesso de público e renda.
Esticou ainda mais a ousadia quando prometeu fornecer preços ainda mais em conta para as pessoas que se deixassem filmar e liberassem as imagens para execução nas dependências de seu estabelecimento. Êxito ainda mais retumbante do que na primeira ação de divulgação.
Ao ver que o estabelecimento tinha recuperado de vez a força, o empresário resolveu incrementar novamente. Dispensou os antigos garçons e camareiras e colocou Gogo Boys e Strippers para a execução do serviço. Contratou telefonistas com especialidade erótica. Elaborou quartos temáticos com sadomasoquismo, cracolândia, Big Brother com Pedro Bial, banheiros químicos, aposento do padre, Grand Theft Auto e Cozinha da Ana Maria Braga (com direito a Louro José bancando o voyeur). Por fim, contratou especialistas em sexo oral para substituir possíveis parceiros que tivessem nojo da prática. Novo triunfo.
E continuou a renovar, refinar e modernizar…
E isso durou até o dia em que os japoneses inventaram um aplicativo de motel virtual onde as pessoas podiam escolher seus parceiros, posições e fetiches através de uns cliques no Smartphone.
O negócio broxou de vez.
(Desce o pano!)
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